6 de dez. de 2010

A menina da arvore - tati bernardi | Pág. 41.

Como é horrivel ser um animal.
Um animal menininha.
Usar vestidos,fazer as unhas , pintar os labios , andar pisando leve.
Por dentro , esse animal com fome, desesperado, selvagem,irracional.
Que bom dia que nada cara.Que boa noite quê, muito obrigada.Porque você não vem me amansar ?
Rasga o vestido da menininha , rasga.
Mata essa fome que eu estou de engolir seu ego, de te deixar perdido, de acabar com essa sua pose , essa sua distancia.
Que se dane o esmalte falso das minhas unhas,eu que ja guardei restos de celulas mortas da sua pele.
Tira essa cor inventada da minha boca, esse tom estuido de flor artificial.Faça ela ficar com cor de sangue vivo , entreaberta entre um grito e um riso.
Tire esse meu andar leve e ereto , me entorta, me coloca do jeito que você gosta.
Que bom dia que nada , eu vou latir no seu ouvido se você ahcar que tem o poder de me magoar.
Para que dominar mina cabeça se voce pode dominar o mundinho pequeno e errado que eu inventei?
Eu que me faço de bem resolvida, por dentro são palpitações são vozes de incentivo ao ataque.
Olhando você e so querendo correr de quatro ate sua canela e morder toda a logica dessa frieza
Querendo te enfiar dentro de mim para preencher o vazio de ser incompleta.
Para sempre a vida me deve, e eu devo tanto a ela.
Querendo calar as batidas do meu coração ansioso como nosso atrito desesperado por minutos de paz.
Para sempre o silencio de quem não pode pedir , mas morre de desejo , de quem acaba de conseguir , mas morre de culpa.
Olhe para mim , me da ração porque estou com morrendo.
Olhe para mim , me deseje  de novo porque estou murchando.
Ou apenas venha me distrair , apenas esqueça todos esses poemas falsos.Esqueça todas essas justificativas sofridas para uma simples vontade de deitar com você de novo.

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